Assim caminha a coletividade

Internet é uma benção e uma maldição, sabemos. Email pra mim é igual a horário comercial: frequentemente não são as horas mais legais do meu dia. Eu peco por fazer a maldita cibernética, mas é só porque trago o que benzer.

Apesar de chegar mais de uma hora atrasada na assembléia de ontem da ATCV: fiquei satisfeita em ter estado ali. Era pra ser só meia-hora de atraso, se o horário fosse o mesmo da convocação de dois dias atrás.

Senti a falta de Wertem, o promotor de audiovisual do Sesc, bem como a de seu pai, Wertemberg, o mantenedor da Taboka Grande – e sério candidato a tocar o cine da ATCV. Aliás: de Taquaruçu também esperei a presença inspiradora de Tharson e Betânia, idealizadores do Cine Canto das Artes.

Por outro lado, ver os garotos de Paraíso na reunião foi-me algo muito precioso. São responsáveis pelo primeiro festival de cinema da cidade. Um novo festival de bandeirolas e santinhos: em temporada de trios elétricos e marketing viral.

E o festival de Porto Nacional, como Elvis, não morreu. João resgata o Cine ao Ar em 2010, e assim temos um quarteto fantástico.

Quatro festivais e dez cines. Pontos e pontos de cultura. Uma coisa aqui é inegável: a gente está semeando.

Mas pra fazer chover, só rebolando.

 

Samir, o tuxaua da Rede Norte de Cineclubes

 

 

Leila e Aluísio semeiam Brasil afora, e não houve alguém da Casa da Árvore que tenha participado da aragem de ontem. Hélder não esteve lá pra incluir um email que não retornasse da lista. Eva concordou sobre a anuidade da associação, mas porque respondeu ao email da Yonara. Zelma e Marcelo sempre darão uma força, desde que a partir de outubro.

Trinta minutos é muito tempo. E não pra um filme ou um programa: pra vida mesmo, essa que é a mesma todos os dias. É difícil pra mim, pra todos os que não compareceram e pra todos que compareceram.

Daí que ter uma lista de email atualizada é importante. Participar de uma lista, trocando idéias e conteúdos, é vital. Encontrarmo-nos, olho no olho, é indispensável.

O cinema do Tocantins está em tempo de se conhecer. O cara que inventa um festival no interior, a guria que desenvolve um projeto nacional de vídeo de bolso, o casal que segura a maior produtora do estado, o câmera que em quinze anos já viu de tudo no meio.

É no âmbito de uma assembléia que todas essas pessoas, todos esses agentes do audiovisual, são iguais. Não somos tantos assim, dividimos o mesmo barco: existem rachaduras, há que se repor alguma madeira, e os ventos do norte não movem moinhos.

Fundações? Havia um cara. De música. A ele eu peço uma salva de palmas.

Todavia: o barco segue, a tripulação navega.

E se há quem pense que mais gente é mais peso: eu acho que mais gente é mais braço pra remar.

Que o motor pode até pifar. Mas a fé. A fé não pode falhar.

 

Streaming Macaúba: Making of Xingu - http://bit.ly/dzvkit

A Macaúba Elétrica e o Palhaço Tiste

Com todo o respeito, eu me referi a Thiago Ramos como um homem perturbado. Ele achou que eu tivesse publicado um segredo que, antes, estava em posse de poucos. Eu lhe disse que era ingenuidade da parte dele: bastam poucos minutos de convívio pra se ter certeza do alto grau de perturbação humana que existe no mundo.

Thiago Ramos tem macaúba, sim senhor. Macaúbas daquelas que explodem da pele e criam brotoejas: é impossível resistir à vontade de coçar. O cara tem essa coceira perene, essa inquietude eterna. É tão certo como o cinco feito de dois dois.

A sensação que tenho é a de que o sujeito realmente não conhece a distinção entre arte e vida. E não é a distinção que, de repente, falta a Lady Gaga. É a distinção que, em outros tempos, faltou a um grupo de Novos Baianos.

O Palhaço Triste não veste roupas, veste figurinos. Não importa se é pra ir à esquina, ir à faculdade, ou ir a um coquetel. Em casa não veste figurinos, mas veste todas as paredes de folhas e mais folhas de pura perturbação artística. São desenhos, charges, pensamentos, poemas, estudos. Todo um visual que se estabelece sobre o impulso elétrico. Consternada, eu encontrei uma Macaúba Elétrica.

E, então, percebi que estava no meio de uma zona de alta tensão. Estamos em um abril de ano eleitoral, e o céu está carregado de nuvens gorduchas: lá do altíssimo, elas espiam gorduchamente. Ou vem a chuva ou vem o raio.

O Palhaço Triste não agrada a gregos e troianos. Ele é palhaço, mas também é triste. Pra entrar no seu picadeiro, tem que passar pela sala. É uma entrada no inusitado e, portanto, requer o mínimo de suspense ou, talvez, constrangimento. E uma coisa é certa: os afoitos desistirão antes de se molharem e muito antes de se partirem ao meio. O que eu posso dizer? Eu to na chuva é pra molhar. Antes um raio na cabeça que a seca bastarda do sertão.

Quando não se consegue expulsar a arte do corpo, o jeito é deixar que ela entre e coma conosco na mesa. E a banda que acompanha o Palhaço Triste (Os Aspirais) vai abrir o show de ninguém menos que Arnaldo Antunes (por sua vez acompanhado de Edgard Scandurra). Hohoho.


Notas Macaúbas

Caio Brettas (Trade Rock) é um GRANDE parceiro deste blog. Eu pago de cineasta, mas ele. Ele é o cara.

Ainda produz teatro, dança, música. E tem o maior acervo de imagens do rock tocantino.

Atualmente, além de tudo isso, é assistente de produção de Marcelo Torres.


It’s all true: Xingu será rodado aqui no Toca esse ano.

Macaúba News

www.myspace.com/agostoderockfestival

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