Com todo o respeito, eu me referi a Thiago Ramos como um homem perturbado. Ele achou que eu tivesse publicado um segredo que, antes, estava em posse de poucos. Eu lhe disse que era ingenuidade da parte dele: bastam poucos minutos de convívio pra se ter certeza do alto grau de perturbação humana que existe no mundo.
Thiago Ramos tem macaúba, sim senhor. Macaúbas daquelas que explodem da pele e criam brotoejas: é impossível resistir à vontade de coçar. O cara tem essa coceira perene, essa inquietude eterna. É tão certo como o cinco feito de dois dois.
A sensação que tenho é a de que o sujeito realmente não conhece a distinção entre arte e vida. E não é a distinção que, de repente, falta a Lady Gaga. É a distinção que, em outros tempos, faltou a um grupo de Novos Baianos.
O Palhaço Triste não veste roupas, veste figurinos. Não importa se é pra ir à esquina, ir à faculdade, ou ir a um coquetel. Em casa não veste figurinos, mas veste todas as paredes de folhas e mais folhas de pura perturbação artística. São desenhos, charges, pensamentos, poemas, estudos. Todo um visual que se estabelece sobre o impulso elétrico. Consternada, eu encontrei uma Macaúba Elétrica.
E, então, percebi que estava no meio de uma zona de alta tensão. Estamos em um abril de ano eleitoral, e o céu está carregado de nuvens gorduchas: lá do altíssimo, elas espiam gorduchamente. Ou vem a chuva ou vem o raio.
O Palhaço Triste não agrada a gregos e troianos. Ele é palhaço, mas também é triste. Pra entrar no seu picadeiro, tem que passar pela sala. É uma entrada no inusitado e, portanto, requer o mínimo de suspense ou, talvez, constrangimento. E uma coisa é certa: os afoitos desistirão antes de se molharem e muito antes de se partirem ao meio. O que eu posso dizer? Eu to na chuva é pra molhar. Antes um raio na cabeça que a seca bastarda do sertão.
Quando não se consegue expulsar a arte do corpo, o jeito é deixar que ela entre e coma conosco na mesa. E a banda que acompanha o Palhaço Triste (Os Aspirais) vai abrir o show de ninguém menos que Arnaldo Antunes (por sua vez acompanhado de Edgard Scandurra). Hohoho.
Notas Macaúbas
Caio Brettas (Trade Rock) é um GRANDE parceiro deste blog. Eu pago de cineasta, mas ele. Ele é o cara.
Ainda produz teatro, dança, música. E tem o maior acervo de imagens do rock tocantino.
Atualmente, além de tudo isso, é assistente de produção de Marcelo Torres.
It’s all true: Xingu será rodado aqui no Toca esse ano.
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