Várias macaúbas solidárias

Como todos estamos a par, Palmas se destaca pela quantidade de acidentes no trânsito. Nesse quesito, nossa capital ultrapassa (veloz) quase todas as capitais do Brasil. Isso está nos jornais e nos portais. Mas. Está em todo canteiro, em toda autovia. Está, frequentemente, na Avenida Teotônio Segurado.

Reparemos. Mudar o nome da avenida não muda coisa alguma. Educação para o trânsito, a cidadania, o próximo, a vida: quando veremos aqui? É um conhecimento cumulativo e empírico. Aqui não cabem cotas. Tampouco importam as castas. Quantos jornalistas, músicos, poetas, pais ainda veremos sacrificados?

Dia 11, depois de amanhã (sexta-feira): oito atrações da cena musical de Claps Town dividem um palco e uma idéia. Porkão cedeu a casa e os artistas abriram mão dos cachês.  Toda  a renda do evento se destina à recuperação do Marceleza. O músico Marcelo Linares sofreu, em abril, um acidente de trânsito: por causa deste, o artista não poderá tocar por sete meses. A música era a única fonte de renda do Marceleza. Não se trata de viver como os marajás: é, antes, cercar-se de orixás.

Dona Quitéria, Poetas do Caos, Asteróide66x, Boddah Diciro e Terra 2. Alexandre Poli e Thiago Play, Di Engenho Novo e Alexandre Castro. Sob o teto que tanto prezamos: Tendencies Music bar. Quando alguém confia na música, não existe solidão – no máximo existe a disritimia. Contudo: navegar é possível.

“Nos sensilizou por ser um amigo e um grande cara, mas também por que poderia ser com qualquer um de nós que depende da música pra viver”, conta o músico Diego Soares (Di Engenho Novo). E emenda: “Todo mundo está sensibilizado com a história, e conseguimos o apoio de bandas com os mais diferentes trabalhos e públicos”.

Acidentes, percalços, dificuldades. Frustações, cansaço, gafes. Viver é perigoso, quando não doloroso. Mas a gente não é âncora: é barco. Algumas pessoas tem o privilégio, ainda, de serem parte de caravanas. Solidariedade é o motor destas embarcações. O combustível? Esperança.

Nota Macaúba: http://www.boddahdiciro.com.br/

O silêncio que precede o esporro*

Uma Macaúba tem sentimentos dúbios (quando não sensações paradoxais). Sobre o material do qual é feita a sua canoa, ela apenas sabe: se não gasta, também não destoa.

Seja qual for a madeira que faz o seu barco: tripulação não é vela e âncora não é proa.

Ressonância não é reticência.

Convenção ou conveniência: cintura na qual apertamos a vida.

Não se vive sem gordura, e não se vive sem proteína. Morre escultura, nasce parafina.

25 anos é coisa nenhuma. Ou 26 anos é coisa demais.


http://www.flickr.com/photos/eduardobelga

*in: O Rappa, 2003


Eu não conhecia a jornalista. Mas conhecia quem a conhecesse:em Claps Town não há quem seja completamente desconhecido. A garota era gerente do cerimonial: mas a vida não cabe no oficial. Não é que “será difícil substituí-la”. Gente não se substitui.


CLAP CLAP, town:

Leila Dias e Aluísio Cavalcante (Casa da Árvore):

http://www.semanaeducacaoearte.com.br/

Evento lindo de se ver. Quando um projeto tem investimento de fora: aí é outra história. O evento contou com várias parcerias, inclusive o apoio cultural do Festival Chico: eu organizei a Mostra Melhores do Chico especialmente pra Semana de Educação e Artes Digitais. E ainda: realizamos o DIÁLOGOS CINECLUBISTAS, para o qual veio o Coordenador de Rede do Cine Mais Cultura, Rodrigo Bouillet.

Wertem Nunes (Mostra em homenagem ao cineasta Leon Hirszman):

http://www.sescto.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=76&Itemid=1

Wertem é companheiro cineclubista e, também, é responsável pelo audiovisual do SESC daqui. Abriu o cinema apenas pra eu e uma amiga vermos a penúltima exibição da Mostra, e ainda estava contente. Só em Palmas se pode ter um cinema privê enquanto se assitie Eles não usam black tie.

Cecília Santos (Jornal O Estado):

http://estadoweb.com.br/jornal/player/index.php?l=01aaeed51949ed5b0059d09fd47c4fbe

Polêmicas à parte: REFLETIR sobre este blog, por meio de algumas perguntinhas, era algo do qual esta Macaúba que vos enrola (mas também vos entretem) estava precisando.


Macaúbas Estrangeiras:

http://www.velhoseusados.com/voto

www.myspace.com/hakkazora

Três macaúbas literárias e um merchand

Dois meses viajando, cinco capitais: depois de um mês, eu estava com saudade até do calor daqui. Juro (não tenho nenhuma aspiração política). Encontrar o mar é sempre lindo, mas uma hora a gente começa a sentir falta da terra firme (e batida).  E daí eu voltei cheia de gás. Mas é claro que, um mês depois de voltar, nem tudo é balão.

Porém. Macáubas sempre hão de pintar por aí: sempre se tem o que mascar. Só nesse mês a volver, dois lançamentos. O mais novo livro de poemas de Gilson Cavalcante, gloriosamente ilustrado pela querida Maíra Bellini. Gilson é um cara que respira poesia, tem vida de poeta, tem sonhos de poeta. Taquaruçu é onde o homem repousa, mas a alma, ah. A alma alça vôos bem mais distantes. Seu trabalho anterior foi O Bordado da Urtiga. Todo livro seu é um deleite, e o último não é diferente. Anima Animus é pra quem já sentiu, em algum momento da vida, um acalentador aroma junguiano. Freud é para os caçadores. Jung é para os coletores. Gilson é pra mascar…até o caroço.


“… Divertida visão

mitocôndria do paraíso

ancestral que anima animus…”


Na sequência, fui convocada pra produzir o lançamento da MUGAMBI, a primeira graphic novel do Toca. O Silva ficou tão eufórico quando o Geuvar trouxe as HQs aqui na Public, que estava miguelando os exemplares. E como eu escreveria o release sem ler o livro? Arranquei um dele, quase aos tapas. Meio livro depois, eu estava realmente perplexa. Nunca pensei que uma coisa daquela fosse um filho de Geuvar Oliveira. Estamos falando de um dos criadores da Liga do Cerrado aqui: humor e crítica, sim, mas com luvas – máscaras, axilas… um porrete (no máximo). Mugambi é impetuoso.  O Tocantins em preto e branco, você em espanto. Não foi à toa que o cara empenhou dez anos nesse trabalho. Uma obra tão impactante não é feita da noite para o dia. Por mais que, sabemos, algum desses anos foram sugados pela falta de $ e não pela falta de inspiração.

HQ é o tipo de linguagem que não recebe investimento algum por aqui: não é que tem pouco investimento; não tem, zero reais. Então, é onde entra a Public: uma vez mais. Só que daqui pra frente é com vocês: Mugambi já es nas bancas e livrarias da cidade (Claps Town).


“…Vou tentar me controlar. Devo estar só impressionado pelo lugar…”


Pra ressoar o susto, quem aparece no lançamento? Thiago Ramos, o perturbado homem que escreve (e desenha e corta e cola) os fanzines Aperitivos. Fazia uma data que eu não via o sujeito, e foi muita emoção promover o encontro entre ele e Geuvar. Contudo. Não vou falar muito dele, não. Porque os vários aperitivos nos quais o maluco vem trabalhando serão lançados em breve. Aguardem…poupem suas mandíbulas pra mascarem muito.

E, pela primeira vez na História da Macaúba, falaremos de algo que (por pouco) NÃO aconteceu – estréia hoje no SESC. Merchandizinho básico, que uma Macaúba não pode ser tão retardatária quanto se diz: isso seria sistemático, deveras.

Com vocês, macaúbas, Na Palma dos Olhos.



Macaúbas Vindouras:

MASTER – death metal de raiz

Geuvar Oliveira - romancista do nanquin

Thiago Ramos – o palhaço triste


Não vou postar a foto do depurado-caça-onça. Deixo aqui, entretanto, o meu profundo sentimento de vergonha alheia.


A MACAÚBA ESCUTA KID VINIL

O almanaque do rock ambulante e ruivo, Kid Vinil, esteve por aqui: Palmas ao Porkão, o herói da noite palmense. Quando existe vida inteligente na noite da cidade, ela se reune no Tendencies Music Bar. Kid Vinil é o Herói do Brasil, mas André Donzelli é o Herói de Claps Town: uma cidade bombasticamente ameaçada por duplas sertanejas e grupos de pagode dos quais poucos salvam, muito poucos.

O homo rock sapiens esteve em solo tocantinense em outubro, portanto, peço desculpas pelo delay. É como eu digo: o barco ainda vai de remo, mas o importante é navegar. Eu estava em Brasilha quando soube que o cara estaria em Palmas e não tive dúvida: voltei no dia do show, ainda que sacrificando o feriadão. Mas é claro que se todos os sacrifícios na minha vida fossem assim, eu não titubearia: cruz ni mim.

Antes do show do Kid, teve o show do Crazy Legs: rockabilly, hohoho. O Porkão já tinha trazidos todos eles antes, mas o que é bom pede bis. Foi uma noite suada e memorável. Coisas que só o Tendencies faz por você.

Para todas as outras, existem as listas. O Herói do Brasil soltou a sua dos melhores álbuns de 2009, e como tudo é convergência e sinergia, lá estavam os meninos do Móveis Coloniais de Acaju. Porque é o tipo de som onde não existem ruídos: MCA é algo pra se guardar do lado esquerdo do peito. Cidadão Instigado foi outro listado com justiça: as poucas vezes nesse 2009 em que eu corri em volta de praças foi graças ao som desses caras. Porque se correr os urubus pegam e se ficar eles só pensam em te comer. E eu ainda destacaria o Arnaldo Antunes, um dos melhores shows que vi no ano passado, na Brasiléia Desvairada: ie ie ie!

Vá lá que uma reles Macaúba não tem uma coleção de 20.000 discos, mas tem mais de 20.000 sinapses, oras. Eu também sou boy, sobrevivente aos 20 anos pós-Raul, e mando a minha lista de desejos pra 2010. 1,2,3 e já:


EDITAIS, meu senhores, uma esmolinha pelo amor de deus. 12.000 pra fazer um curta, por exemplo, é uma piada: mas pior que um humor negro é humor nenhum;

• APROVAÇÃO DO NOVO ESTATUTO DO CIM: porque é preciso levar a sério oFestival  Chico, um dos maiores patrimônios do cinema tocantinense;

ENCONTRO REDE NORTE DE CINECLUBES: a edificação e integração do movimento cineclubista no Toca e no norte do Brasil;


• A estréia de mais de uma (ou duas) peça (s) de teatro LOCAL (IS) na cidade;

A Festa da Macaúba, quando este querido blog completará um aninho de sobrevida;

• Muita paz, dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender. E macaúbas a valer.


PRA CHEGAR AO CAROÇO: http://www.kidvinil.com.br/


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