outubro 17, 2011 às 2:16 pm (Uncategorized)
Letra: Leonardo Bursztyn e André Gonzales
Música: Leonardo Bursztyn
Embora dê pra não perceber
Alguém deve estar rindo de você
Motivo, talvez, nem exista
Então por favor não insista
Use a imagem como documento
Não esqueça de esquecer seu talento
Aborte todo-e-qualquer lirismo
Pra não cair em ostracismo
Seja maduro apague a ilusão
de quem tem caráter tem tudo na mão
e se é pra sair bem na fotografia
venda sua mãe e não perca a simpatia
Não é difícil de comparar
Nosso cérebro com a castanha do Pará
A bem da verdade é bem mais fácil aceitar
O mundo assim do que só contestar
A vida é um processo de constante atuação
Se você quer ser feliz e não apodrecer na solidão
Abaixe a cabeça pra obter atenção
Encolha o rabo e terá admiração
Se quiser ser ouvido é bom ficar calado
E que tudo fique no mesmo estado
Hipocrisia não é mais cinismo
Eu chamo de multilateralismo
Um afago pra cá e uma cusparada pra lá
E assim o país inteiro vai te amar
Não é difícil de comparar
Nosso cérebro com a castanha do Pará
Quando coordenar é cavalgar
agosto 5, 2011 às 12:03 am (Uncategorized)
No belíssimo documentário Uma Noite em 99, a produtora que manteve o Festival Chico vivo por 07 anos, Tatiana Fagundes, sintetizou uma missão: Eu não sou mãe do Chico, nem amante do Chico. Eu sou, assim, uma amiga do Chico.
Faço delas as minhas palavras, e, acrescento: sou a versão leonina – ainda que o sol acuse, no meio deste vinte e sete, go Amy, que o nascimento foi na Era de Aquário.
Raspas e restos nos interessam porque já se fez filme premiado (Festival do Cinema Brasileiro, talvez em 2006, possível também em 2005 – ou antes) com ponta de película, dialeto criado por ator e áudio, um emocionante áudio sob a perspectiva de um cego. Ouvindo o cotidiano ao redor, dentro da cidade pacata. Seria um livro? Seria um filme? Seria música?
Foi prêmio e aplausos. Presenciamos, todos nós, brasilienses ou não. A festa era da criatividade, quando usada com a sensibilidade.
Mas pra rolar a festa, tem que suar a camisa. No campo, se encontra de tudo um pouco e de todo o pouco um tanto. Porque não existe jogo de árbitro – do mesmo jeito que não existe jogo de arquibancada: existe a interação.
A 9ª edição do Chico foram 2 semanas de preparação cardíaca e pulmonar, 5 semanas de produção de guerrilha, 1 semana de atividades paranormais e 1 mês querendo ir embora do Tocantins. Mas, depois de algum tempo perdido, nós voltamos ao ar.
Em 2011, o evento foi realizado na FLIT, feira literária do Tocantins, o maior evento cultural do Estado, durante 08 dias, com quase 60 horas de programação matutina, vespertina e noturna, pra todos os tipos de público: mais ou menos 2.300 pessoas.
Aqui, neste momento exato. Temos, dez edições depois, um projeto.
Dito isso, vamos às manchetes, companheiros, pois abrimos as portas no dia 26 de julho e só as fechamos no dia 02 de agosto. Trouxemos 05 convidados Brasil: Hermes Leal, tocantinense de coração e editor sobrevivente – e perspicaz – da Revista de Cinema, publicação renomada para o segmento audiovisual. E, através dele, o projeto também contou com Antônio Leal, idealizador e organizador do Cine Foot, além de vice-presidente do Fórum dos Festivais e diretor no CBC – Congresso Brasileiro de Cinema. Mais: Cynthia Falcão, coordenadora de formação do CANNE – Centro Audiovisual Norte-Nordeste, e secretária da ABD Nacional – Associação de Documentaristas e Curta-Metragistas e do CBC; Rodrigo Bouillet, coordenador de rede da ação Cine Mais Cultura (SAV/MINC – Ministério da Cultura) e Rafael Rolim, coordenador nacional do Clube de Cinema Fora do Eixo.
Mostra Chiquinho, acervo Canto das Artes e Cine Miragem, teve público superior a 800 pessoas, exibindo filmes infanto-juvenis da Programadora Brasil, durante 07 dias, sempre 11 h e 15 h. Em apenas 03 dias a programação diurna se diferenciou: sábado, 30, dia do meio-ambiente, domingo, 31, dia do cineclubismo, e terça, 2, dia da educação para a cidadania e para a defesa das minorias: no qual exibimos, por 02 vezes, o mesmo filme banido no Acre – Eu não quero voltar sozinho.
Mostra Competitiva, voltada ao público adulto, abrigou 8 categorias de premiação, exibindo todo o tipo de produção existente no Tocantins, Publicidade, Jornalismo, Videoclipe, Curtíssimo, Videoremix e Curte, além de vídeos de gêneros e formatos diversos realizados em várias regiões do Brasil.
26 agentes culturais, com atuação comprovada e gosto pelo projeto, foram empregados durante os 02 meses de produção do Festival Chico 2011. Vínculo de empreendedorismo: é exatamente do que precisamos aqui. Associativismo e cooperativismo, organograma e documentos, vida bípede e vida digital: yes, we have.
Na realização de 2009, peitaram os custos 3 pessoas físicas/jurídicas: Public, Canto das Artes e CIM. Todas estas envolvidas na realização de 2011, bem como os mesmos e novos apoiadores. Foi quando recebemos o convite de, mais ou menos com o mesmo tempo, produzir quase o triplo de programação. Além de ocupar artisticamente o Memorial Coluna Prestes, desativado há tempos. Isso era uma coisa, ao mesmo tempo, empolgante e desesperadora.
Cuidar de um patrimônio requer o plantio de uma aliança e o cultivo de um antioxidante. É necessário, na mesma medida, que a atuação independente se formalize e o poder público se sensibilize. É nesta intercessão – e somente nela – o terreno no qual a gestão compartilhada, de trabalho, idéia, estratégia, torna-se possível. Bem como viável.
Vamos, então, aos números. Desde 2007, o Festival Chico é realizado anualmente sem interrupções. Posso falar, com propriedade, apenas das últimas 03 edições. Em 2008 o evento aconteceu no Cuica (UFT), um auditório majestoso, talvez o melhor que se disponha em Palmas, quando se pensa em tamanho e estrutura. Contudo, nós sabíamos que ou fisgávamos os universitários ou exibiríamos às moscas. Nos dois primeiros dias, realmente, estava presente a tchurma do cinema, e pouco público em geral – o mais surpreendente e o desafio maior. Mas, no último dia, fim de novembro, um domingo lá pelas 7 ou 8 horas: começou a aparecer gente de Taquaralto, das Aurenys, do Centro e da Vila União. Exibimos, e recebemos o diretor como convidado, do filme Ai que vida!.
Público total de mais ou menos 150 pessoas. Em 2010, quando o evento foi realizado um pouco antes, em relação a data do ano anterior, o público participante de igualmente 03 dias de evento superou 800 pessoas – e foi realizado em Taquaruçu, a quase 40 km de Palmas. Na ocasião, foi realizado um satisfatório festival cultural, sendo, neste, associadas linguagens diversas, música, cênicas e audiovisual. E recebemos 02 convidados Brasil. Não houve, porém, qualquer recurso da iniciativa pública.
Sem desmerecer, de forma alguma, os cartazes impressos pela UFT, bem como a recepção compreensiva e calorosa feita a Organização, pessoa física e aloprada formada por 01 ou 02 pessoas, em breve, deus ajude, por 05 ou 07 integrados.
Mas algumas determinações – nessa nova vida política em primeiro ano de gestão – vem para o bem. Acredito – e aposto – que eu e pelo menos 90% da equipe do Chico estamos mais que satisfeitos em assinar este acontecimento. O recurso ainda não chegou, mas isso é um conflito compartilhado, não uma ironia. Pra receber um recurso, foi necessário que se juntasse um coletivo firme, acima de qualquer suspeita. Guerreiros da cultura, amigos do Chico.
Vamos nos felicitar e ajudar daqui pra frente – especialmente nos próximos 30 dias. Enquanto o Partido Alto perdoa dali a demora no juntamento da papelada; do lado de cá a gente aguarda numa boa. Parceiro é parceiro. Pra poder crescer é imprescindível poder confiar.
Nóis é jeca, mas é joia. A revolução não será televisionada. Do luxo ao lixo, a gente faz é compartilhar. Lembrando-se, reparem, de eleger conselho deliberativo, consolidar organograma, discutir ações, inscrever em editais e trabalhar desesperadamente como se não houvesse amanhã. E, sobretudo, consciente de que houve muito ontem.
Intolerância institucionalizada
junho 10, 2011 às 5:47 pm (Uncategorized)
Tags: Acre, Cine Educação, Cinema, Direitos Humanos, Eu não quero voltar sozinho
Queridos amigos e colegas,
No início da semana recebemos a notícia de que a exibição do curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, como parte do programa Cine Educação, havia sido censurada no Acre. O programa Cine Educação, uma parceria com a Mostra Latino-Americana de Cinema e Direitos Humanos, tem como objetivo “a formação do cidadão a partir da utilização do cinema no processo pedagógico interdisciplinar” e disponibiliza diversos filmes cujos temas englobem os direitos humanos, de modo que professores escolham quais são mais adequados para serem trabalhados em aula. Na semana passada, no estado do Acre, uma professora escolheu o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho e exibiu-o para seus alunos. Para aqueles que não conhecem, a trama narra a história de Leonardo, um adolescente cego que, ao longo do filme, vai se descobrindo apaixonado por um novo colega de sala. Alunos presentes na exibição confundiram o curta metragem com o “kit anti-homofobia” e levaram a questão aos líderes religiosos, que mobilizaram políticos da região com o intuíto de proibir o projeto Cine Educação como um todo. Nenhum desses representantes públicos deu-se ao trabalho de ir atrás da verdade e descobrir que se tratava de um programa pedagógico com o intuito de levar o debate sobre direitos humanos para a sala de aula. Mais uma vez no Brasil, a educação perde a batalha contra o poder assustador das bancadas religiosas e conservadoras. Neste momento, o programa Cine Educação está paralisado. Enquanto isso, os secretários de Educação e de Direitos Humanos do Acre estão articulando com o governador a possibilidade de garantir sua continuidade, enquanto os líderes evangélicos forçam o cancelamento definitivo do programa. Pelo que sabemos, mesmo que o programa seja reativado, o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho será excluído do catálogo e não mais ficará disponível para que professores o utilizem no debate de questões que envolvem algo tão elementar quanto a sexualidade humana e tão importante quanto a deficiência visual. De forma arbitrária, em uma república federativa cuja Constituição atesta um Estado laico, a sociedade está sendo privada de promover debates. Como pretendemos que adolescentes consigam respeitar a diversidade e formem-se cidadãos lúcidos, pensantes e ativos se informação, arte e cultura (sem qualquer caráter doutrinário) lhes são negadas? Eu Não Quero Voltar Sozinho não é um filme proselitista, tampouco ergue bandeiras de nenhuma natureza. É apenas uma obra de ficção amplamente premiada em festivais de cinema no Brasil e no exterior, cujos predicados artísticos e humanos transcendem qualquer crença. Ademais, se assuntos referentes à orientação sexual dos indivíduos e seus respectivos direitos civis estão na pauta do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, por que não debatê-los em sala de aula? Que combate sombrio é esse, que reacende a memória de um obscurantismo Inquisidor? Produtores do Eu Não Quero Voltar Sozinho
Daniel Ribeiro e Diana Almeida
Por Scarlett
maio 4, 2011 às 2:38 pm (Uncategorized)
Por mais que ela o insulte.
Por menos que ela o venere.
Enxergue além dos céticos e voe acima dos abutres.
Disturbe o silêncio, supere os frívolos: por mais que o acuse.
Não se negue, não: somente por agora.
Não se apegue, não: à frente uma hora.
Por mais que ela o pulse.
Por menos que ela o espere.
Envergue além dos prédios e voe acima dos arbustos.
Desculpe o milênio, supere equívocos: por mais que o abuse.
Não se negue, não: somente por agora
Não se pregue, não: à frente uma aurora.
Pra salvar no coração e armazenar no HD
março 11, 2011 às 7:59 pm (Uncategorized)
ANA PAULA SANTANA entrou estagiária no Ministério da Cultura em 2002 e hoje, nesse ponto de virada chamado 2010, a gestora de 30 anos é a Secretaria do Audiovisual no Ministério da Cultura do governo Dilma. São poucas as imagens dela no Google e quem buscou o audiovisual sempre vidrado nos diretores e roteiristas, dificilmente terá notado o nome dela nos anos adentro. A Secretaria não assinou filmes, mas assinou projetos e encarou funções múltiplas numa carreira meteórica. Chega a ser penoso imaginar como a jovem conseguiu fazer tanta coisa diferente e importante dentro do mundo que conhecemos como SAV. Em nove (ou dez?) anos ininterruptos, a brasiliense despontou como um ícone Y na gestão da cultura no Brasil. Não vou dizer que ela está fazendo história. Porque me parece que a mulher é a labareda disfarçada de fagulha da mais pura vanguarda. Mas isso só o tempo dirá.
Tampouco vou bancar de cult e dizer que conhecia à lupa o trabalho desta prodigiosa conterrânea. Bobagem. Quando se faz uso da primeira pessoa é melhor falar das impressões e dos sentimentos: onde se encontram as verdades que estão acima de qualquer suspeita.
Eu vi a olho nu Sílvio Da-Rin por duas vezes – num seminário estadual em Palmas e num encontro nacional de cineclubes no Rio. Cativou-me a simplicidade do homem e impressionou-me o eco longo que um tom assim pode irradiar. Um cara respeitado desde a base, no movimento, e admirado até os festivais mais pomposos. Newton Cannito foi o gestor entre Da-Rin e Anna Paula Santana. Não tive a chance de topar com ele por aí, mas tenho o prazer de conhecer duas pessoas queridas, Hermes Leal e Rebeca Damian, que noticiaram a alegria que é trabalhar com o roteirista-gestor. Já estava tudo bem encaminhando, eu pensava, e tentava mesmo trilhar esse caminho inspirador. Mas não contava com tantos buracos nas vias da capital mais jovem do Brasil.
Nem vale a pena falar dos pneus furados.
Voltemos às vias asfaltadas. Por três vezes, pude dividir algumas horas com Rodrigo Bouillet, 32, coordenador de rede do Cine Mais Cultura. Programa que começou há três anos mais ou menos e com uma equipe de 03 (três) pessoas. No primeiro ano resgataram literalmente* quase 200 (duzentos) cineclubes no Brasil. Atualmente, somando estes cines aos inaugurados, são mais de 800 (oitocentos) no país. A equipe dobrou (ou triplicou?) se entendida como “funcionários” (ou contratados) do MinC. Mas quando se entende a rede de trabalho e discussão criada com o programa, chegamos a número que beira os 2.000 e se espalha por todos os Estados brasileiros.
*resgatando de avião e de barco, de ônibus e a pé, nos quatro cantos e no recheio também desse Brasil gigante.
Simbolicamente, suspeito, o mesmo tipo de jornada na qual se empenhou a Secretaria Anna Paula, mas adentro dessa SAV instigante. Não temos empresários de facebook, mas já temos gestores de ponta: eles estão ao redor dos 30, não usam vestidos ou ternos de corte fino, usam “cara”, “velho” e “bicho” como interjeições recorrentes e podem colecionar desde emails a tatuagens. Estão espalhados com roupagens diversas pelas redes sociais e transitam estratégicos e lúdicos, ao mesmo tempo, entre a oligarquia e o povo.
Porque a invenção (ou contracultura, escolha aí) só acontece no confronto do latifúndio com a aldeia. Nesse ínterim vibrante, ora tenso, ora fluído. Nessa gangorra com a qual aramos a terra política.
Alguns roteirizam, produzem e dirigem filmes. Alguns organizam, produzem e sinalizam cineclubes. Alguns idealizam, produzem e pedem carona para editais. São todos elos fundamentais da cadeia produtiva do audiovisual no Brasil e cuja integração mais ou menos afinada pode determinar o alcance das raízes que (de)marcam o setor. It’s New Age, fellas.
Pra economizar a voz mas ressoar o discurso
dezembro 29, 2010 às 8:45 pm (Uncategorized)
Qual foi o click pra fazer a 1a Mostra Miragem?
E o que ainda lhe faz persistir?
Tive o privilégio de nascer em uma pequena cidade do interior onde havia uma sala comercial de cinema. E toda essa minha paixão e compreensão acerca do cinema foi uma semente plantada no escurinho do Cine Operário (extinta sala de exibição de Miracema). Por isso, desde o seu fechamento, assumi (automaticamente) a responsabilidade de não deixar essa cultura cinematográfica morrer na minha cidade (…) E toda essa trajetória, desde as inesquecíveis matinês do Cine Operário, foi embrião para a idealização de um dos mais promissores festivais de cinema e vídeo do interior do Brasil: a mostra Miragem (que há 5 anos promove, na “pequena e pacata” Miracema, o fomento e a divulgação da produção cinematográfica brasileira, como também homenageia e revela talentos locais). Agora o motivo que ainda nos faz persistir durante todos esses longos anos de dedicação é pressentir que, apesar dos pesares, a nossa inquestionável contribuição ao desenvolvimento cinematográfico de nossa região nos reservará, em algum momento da história, o nosso merecido lugar ao sol (assim, simplesmente).
Em algum ano, você não tirou do seu bolso? Quando (e como) acha que o projeto se tornará sustentável?
Enquanto não tivermos políticas públicas de incentivo à divulgação e ao fomento da produção audiovisual em nosso estado, os produtores culturais vão continuar a tirar dinheiro do bolso para produzir os seus eventos. O fato é que essa irresponsabilidade do poder público acabou gerando uma situação cômoda para os gestores de cultura, porque eles sabem que de alguma forma o produtor, por ser independente, vai (de qualquer forma) produzir o seu evento (mesmo auto-patrocinando), por isso esses gestores não tem crise de consciência, dormem tranqüilos (sonhando com ovelhinhas pulando a cerca). Porque o que está em jogo nessa negligência irresponsável são os eventos mais significativos para o nosso desenvolvimento cultural, alguns reconhecidos nacionalmente, como o festival Chico e o Miragem. Pra vocês terem uma idéia da gravidade do assunto, hoje em dia nosso único horizonte de sustentabilidade são os editais de incentivo à cultura do Governo Federal. Agora chegar a ser contemplado em um edital nacional “são outros quinhentos” (apesar da diversidade e da descentralização dos editais, algo nunca visto antes na história deste país). Sinceramente, se nesse novo governo não tivermos um Secretário de Cultura ou um Presidente da Fundação Cultural que se atenha a essa delicada condição a que estão submetidos os festivais de cinema do Tocantins, em curto prazo a nossa situação será insustentável (que nem paixão agüenta!).
Ao longo dos anos, quantas pessoas mais ou menos se envolveram com o projeto? Quem são os principais (e mais persistentes)?
Vários voluntários já transitaram na equipe de produção do Miragem (isso é rotineiro numa produção independente). Na primeira edição, quando o Miragem ainda era uma das atividades paralelas do Agosto de Rock, os filmes exibidos na mostra pertenciam ao acervo do CIM – Centro de Imagem e Som, entidade responsável pela realização do mais antigo festival de cinema e vídeo do Tocantins, o Chico. Inclusive a fundadora do festival, a Tatiana Fagundes, então produtora do Chico, foi uma das pessoas que contribuíram para o processo de implantação do Miragem. Nossa relação era de muita confiança, por isso mesmo fui convidado a trabalhar na produção do festival Chico, em 2005 e 2006, e pela primeira vez fui pago pelos meus serviços (e bem pago!). Não conheço ninguém do audiovisual tocantinense que não reconheça o papel fundamental que teve a Tatiana Fagundes para alavancar a produção audiovisual em nosso estado. Outra pessoa muito importante para o Miragem foi o então diretor do campus de Miracema, o Profº Drº Pedro Albeirice. Seria uma grande injustiça não reconhecer a grande força que este cidadão deu à mostra miracemense em sua fase de transição, quando saímos das ruas e praças e fomos para o auditório da UFT. Pessoalmente éramos muitos diferentes, ele extremamente religioso e eu um roqueiro punk de rédeas soltas (kkkkk). O cara valorizava tanto o evento que teve momento que chegou a tirar dinheiro do seu próprio bolso. Albeirice foi também Mestre de Cerimônias na 2ª e 3ª edição da mostra (lindos tempos professor, obrigado!). Depois do Profº Albeirice, mais três pessoas assumiram a função de Mestre de Cerimônia do Miragem, Karina Francis, Alex Cerqueira e, atualmente, Thiago Ramos (o Palhaço Triste – impecável! Lindo! Lindo! hehehe). Outra figura que deu significativa contribuição ao Miragem foi o então Presidente da ATCV, o Luiz Pires. Ele fazia os “corres” em Palmas, indo de gabinete em gabinete, fazendo a intermediação entre o poder público e aquelas figuras “bizarras” que compunham a produção do Miragem (imagine: Cássio sem chapinha e a Dogão careca? Kkkkk). O bacana dessa intermediação do Luiz é que dessa pedra sempre saia leite (Pouco, mas saía! Quem acompanhou as primeiras edições do Miragem tá ligado na força que o Luiz Pires deu). O João Paulo, da Mansur – Comunicação e Marketing, que produziu o primeiro VT da mostra e também outros trabalhos. O Caio Brettas, da Trade Rock, que desde 2008 é parceiro da mostra (é dele a produção da maioria do material audiovisual da mostra, inclusive os VT’s de 2008 a 2010). A jornalista Lidiane Moreira, de Gurupi, que criou o blog Miragem, ajudando a dar visibilidade nacional à mostra. E, pra fechar essa resumida lista, o Marcelinho, da agência Public, que desde 2007 vem nos apoiando de forma significativa, exercendo a função que deveria ser do poder público, mas vamos finalizar essa resposta por aqui porque senão essa entrevista vai ficar chata pra caralho (que nem a cerimônia de entrega do Oscar, quando os vencedores citam infinitos nomes de agradecimentos, ah, nem! kkkkkk).
Qual a relação da Mostra Miragem e do Cine Miragem?
Obviamente toda! Um é fruto (literalmente) do outro! E esse mérito foi alcançado devido à nossa instigante trajetória que cai como luva para um belo roteiro de cinema, como também nos possibilita a concorrer editais de incentivo à cultura, de igual para igual, com outros importantes projetos nacionais. Foi isso que aconteceu quando fomos contemplados, em parceria com a secretaria de educação e cultura de Miracema, pelo edital Cine Mais Cultura, do Ministério da Cultura (que visa estruturar espaços para exibição de filmes brasileiros, em DVD, do catálogo da Programadora Brasil, com equipamento de projeção digital e oficina de capacitação cineclubista. Mais informações: http://www.cinemaiscultura.org.br). O Cine Miragem funciona (em caráter provisório), todas as sextas, sempre às 19:30, no Salão Paroquial, localizado na primeira praça de Miracema. O GRANDE problema do Salão Paroquial é que se morrer alguma pessoa “de certa importância” na cidade a sessão terá que ser cancelada, porque o salão também é palco para velórios (rsrsrs). E a primeira vez que isso aconteceu foi no dia do lançamento nacional do filme “Terra Deu, Terra Come” (que ironia, kkkkk), quando fizemos a maior campanha de divulgação de todos os tempos: mídia volante, cartazes, panfletos, enxurradas de scraps na internet… Mas quando chegou na sexta –feira, o dia da sessão, recebemos o comunicado fúnebre de que teríamos que cancelar a sessão, porque haveria um velório no mesmo dia. Que deus me perdoe, mas nessas condições, fica complicado trabalhar a formação de público. Demanda, nós temos! Comprovamos isso com a realização da última edição da mostra Miragem, que foi um sucesso estrondoso de público! A diferença é que o Miragem 2010 foi realizado num auditório luxuoso, espaçoso e todo climatizado (digno de um templo para exibições cinematográficas). Pra vocês terem uma idéia, a sala Severino Lopes Teixeira foi inaugurada em agosto de 2009, ainda sem a estrutura (veja o vídeo da inauguração no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=AJjCkFzPY1M) e hoje o cinema virou um ninho de pombos, devido tamanho abandono (sinceramente, não podemos mais ser coniventes com essa absurda situação, porque é um desrespeito à sétima arte e à nossa própria história audiovisual).
Quais os fatores responsáveis pelo aumento de público? Foram quantas sessões e em quantos lugares?
Apesar da significativa falta de recursos, que quase impossibilitou a sua realização em 2010, a produção da mostra ainda teve a ousadia de expandir o Miragem para mais 05 cidades do estado: Tocantínia, Miranorte, Paraíso, Palmas e Gurupi. Contrariando alguns “especialistas” (aiaiai) que apontavam essa experiência como um ato de grande risco, que culminaria no fracasso da mostra miracemense (porque a lógica desses caras é o seguinte: eles não te patrocinam, aí você resolve, OBVIAMENTE, realizar o seu evento, cumprir suas responsabilidades, sua agenda anual… Aí eles ficam somente aguardando a desgraça bater na porta do atrevido). Ledo engano, porque o resultado dessa ousada experiência surpreendeu até mesmo a produção da mostra, atingindo um público de 2.137 espectadores.
O que você espera pro projeto em 2011?
Expandir o projeto para mais cidades do estado, inclusive por algumas em que já havíamos realizado exibições, através da Mostra Itinerante Miragem. Muitas delas já se manifestaram, cobrando participação na mostra do próximo ano. Vamos ampliar o projeto para mais escolas e aprimorar (didaticamente) a nossa relação com os alunos.. Em suma, vamos propagar cada vez mais o cinema, principalmente o curta-metragem, pelos quatro cantos do Tocantins!!! Outra expectativa para 2011 é que o próximo governo resolva essa falta de comunicação entre a Fundação Cultural do Tocantins e/ou a Secretaria de Cultura com os 03 festivais de cinema existentes no estado. Poxa-vida, tem evento aí chegando à casa dos 10 anos e até hoje o estado não tem uma política voltada para o incentivo desses festivais (isso é muito vergonhoso!!!). E o mais importante: vamos patrocinar esses festivais (PELO AMOR DE DEUS!!!). No mais, feliz 2011: que seja um ano cinematográfico a todos!!!
Cássio Renato Cerqueira
E a gente vai levando essa vida… é melhor ser alegre que ser triste!














